segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

A DEUSA CERVEJA

Ceres era a deusa romana da agricultura. Da agricultura vêem, junto com o culto ao fogo, toda a indústria humana. A cerveja, deusa Ceres, nasce do cultivo dos cereais : cevada e cerveja, cereais, sementes - eis essa energia humana combinada em forma de centauro com a natureza, que os romanos antigos chamaram Ceres, a união (amor) entre a tecnologia da natureza e do homem que resultou em tecnologia. É a encarnação do símbolo do centauro, um ser metade animal (natureza, fauna : o fauno) e metade humana : o homem barbado, meio cavalo meio humano : o homem-cavalo de barba, o centauro (representado pelo sábio Quíron nas cartas do Tarô).
Essa leitura por meio de símbolos é a forma de leitura ou literatura na pintura, no desenho, na arquitetura sob a forma da construção e encadeamento sintático dos símbolos que, subrepticiamente, criam símbolos, antes dos símbolos, para se ler, passar mensagens cifradas aos analfabetos simbólicos (há toda uma semiologia nos símbolos, toda uma escritura de signos ocultos, não à flor dos olhos, mas dados à escritura e leitura dos "iniciados", ou seja, ao "não-alfabetizados" em simbologia, que a linguagem do sonho, quer dizer, da mente pura imaginando, pensando fora da vigília, fora da realidade : a realidade para a mente livre da natureza externa ao homem é sempre traçada em forma de sonho de Salvador Dalí, ora como "O Cavaleiro da Morte", ora como antes de Dalí fora o leviatã, o basilisco a fênix e outros produtos de sonhos mesclados na industrialização que é o processo de contato de mente e natureza interna e externa ao
homem: daí saíram o fauno e outros entes do imaginário).
A deusa Flora (hoje cultura pelos ecologistas como "flora")também está presente nesse berço de Ceres, vez que é uma deusa, uma energia nomeada que representa a flor : a flor é a produtora da floresta e, consequentemente, dos grãos que ainda não atingiu o estágio de Ceres porquanto não foram industrializados. A energia denominada "Flora", portanto, é uma etapa da tecnologia da natureza ainda não industrializada pela mão e mente simbolizadora do homem ( a deusa, digo, a energia, a força propulsora da indústria humana e natural é a deusa Vestal, símbolo no qual se lê o fogo, fonte de toda indústria).
A cerveja, ou a Ceres (ou, grosso modo, "veja a Ceres " na expressão "cerveja": Ceres veja!), simboliza esse complexo processo humana de homenagear, conceituar, nomear a vitória do homem unindo-se à natureza; dar nome à ação criadora do homem e da natureza em conjunto.
A Vitória; sim, a vitória : a Vitória Alada de Samotrácia, a deusa da Vitória (a Niké grega), hoje
no museus do Louvre, nada mais é, na semiologia do símbolo, que a vitória humana sobre outros homens, tal qual o talhou o artista da ilha de Samotrácia, após uma vitória sobre seus inimigos,como também, em sentido lato e, provavelmente, sentido que não chegou à percepção do artista grego, a deusa da Vitória, a energia que possibilitou o triunfo daqueles gregos da ilha de Samotrácia, "fala" sobre a vitória humana sobre o mar, construindo navios, singrando os mares, com a deusa na proa, bela e sábia e triunfante como a tecnologia, como a indústria humana!

sábado, 15 de dezembro de 2007

O BEIJO

Eu beijo seus olhos, amor
com a luz dos meus olhos

Caminho abraçado à madrugada
depois de libações à deusa Ceres
na cervejaria ou no bar
Meu caminho está aberto em seus olhos
Palmilho nessa trilha de luz

Clarão de estrela na noite
nave perdida no oceano negro
A noite é o mar negro
na ausência verde de seus olhos

Seus olhos me beijam
em cada raio de luz emitida
mesmo quando não me olham
São dois violinistas verdes-Chagall
que me tocam como um violino
um Stradivárius nas mãos de Paganini

"O Beijo" de Klimt é a melodia
composta e executado com maestria espontânea
pelo encontro do verde e castanho
no beijo de luz dos nossos olhos