Não sei se existe formada a palavra "mendacidade". Se não... e daí?! Tá aí. Danem-se os donos dos latifúdios da língua! Que "latam"!! Eles são mendazes.
Estive lendo "A Vida de Jesus". Renan, o autor, um sábio irretorquível, descreve com volúpia atéia um homem. Um pobre homem perdido na infância. Mendaz o homem Jeus? Ou apenas vítima da utopia juvenil, que os podersos implantam na mente incauta para depois matá-los legalmente . A lei é isso : um crime legal que substitui outro crime : ilegal . A fronteira é tênue. E no meio dela sobrevive um paradoxo fatal ( para alguns). Nada mais.
Jesus (ou como diria Padre Marcelo infinitamente : Jesus! Jesus! Jesus!... parecendo um louco de pedra). Jeus, um homem em quem o tempo e sua teia cultural envolveu como uma presa de aranha e que depois de morto, por ingenuidade infantil, tem os despojos como espólio de outra teia aracnídea da igreja ( estou a fazer da santa madre igreja um homem-aranha, ou mais "fiel" à flexibilidade da língua portuguesa, no gênero : mulher-aranha; igreja é feminino.E como é feminino!!!)).
Os homens somos mendazes. Respiramos toda a mentira que vem no bojo da cultura : colônia de vermes, para gusanos. Se não toleramos a mendacidade geral, comum, entramos na ordem mendicante dos desempregados ou desesperados ou vamos para algum Tribunal do santo ofício, da velha e invisível Inquisição, que hoje são Tribunais com nomes mais pomposso, tal qual o supremo .
Nenhuma escolha na democracia!!!O capital cria sua Ordem franciscana de rapar a cabeça e andar em andrajos. Franciscos. Chicos. Micos. Bufões, truões, bobos de Velazquez. Francesco na Úmbria, vestido de pobre, a caráter para a missão que lhe levará à sanidade canonizada, em alegria juvenil e vida envolta num torvelinho de sonhos arquitetados em seus "memes" pelo Cristo cristalizado em Igreja, na igreja que o próprio Jeus abominou (na época era a dos fariseus e saduceus, que é a mesma de hoje e a da perversa Inquisição, que queimou bruxas e herejes às pampas e com volúpia. Quiça os padres inquisidores, aqueles santos, queimassem assim os prazeres da carne que, supostamente, em votos de castidade, mantinham .
Pedra."Petrus"."Tu és pedra..."(eu diria que é tão-somente um rio mineral correndo no plasma sanguíneo como pequeninas "pedrinhas" de cálcio, magnésio, potássio, que a terminologia científica de gravata ( e bravata!) denomina "sais minerais".
Corpo de Adão; depois transfigurado em "Corpo de Cristo". Engraçado e sem-graça, que Antônio Conselheiro, o beato, o "Bom Jesus" não foi canonizado, conquanto palmilhasse a mesma sina de Jesus , no sertão nordestino, no povoado de "Canudos", as marguesn do "Vaza-Barris", onde foi trucidado . Destinos traçejados por outrem como caminho : pelos donos das instituições do caminhar, que se faz ao mandar caminha, sempre com o chicote à mão. Escultura na memória genética, no corpo ancestral, antepassado.
Ernest Renan, o excelso sábio francês, demonstra o que já o fizera Euclides da Cunha, em "Os Sertões", caracterizando o sertanejo, e seus "fraticelos" de cá, de "aquém mar"..."Que o mar sem fim é português" em vates lusos em pessoa.
A Vida de Jesus recriada no quinto evangelho, o de Renan, remete-nos aos quintos dos infernos : os homens que a cada passo, a cada época, assenhoram-se de outros homens, fazem-nos escravos e, dessarte, controem o poder, a cultura e a civilização servil, fundada no servilismo e na mentira grotesca.
Jesus, um humilde ser que sequer conheceu o mundo, que mal soube onde pisava, em que campo minado jogava (como hoje jogamos no computador ou celular), que vivia sob uma cultura medíocre, uma língua pobre, envolta pela pieguiçe romântica ( e "românica") de um Messias, que era o futuro judaico da época (e dizem que até hoje continua sendo asim para o judeu ortodoxo! Eles ainda esperam o Messias!!!). Hoje, sob a égide benéfica do capitalismo, o futuro é um emprego bom ou dinheiro ; ninguém espera senão um Messias, um dia do senhor em que ganhem na loteria milhões .
Evangelistas delirantes traçaram genealogias de Cristo que remotam a Davi para um homem pobre, insignificante e um bando de charlatães posteriores que souberam e sabem tirar proveito desse espólio que fez a fortuna dos 16 Bentos de todos os tempos!(Seria o Benedito?!).
Lendo Renan, e Jesus em Renan, fico nos vendo a debater em vão na teia da cultura como a abelha presa na urdidura da aranha. Abelha crucificada na teia da aranha! (Ou as instituições não são armadilhadas?).
sábado, 28 de junho de 2008
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