sábado, 28 de junho de 2008

TERRA NA CARNE E NOS OSSOS

Adamah! Este o vocábulo hebraico para terra em oposição a Adão, o ser humana. Daí talvez voaram "pássaros canoros" na voz humana palavras como "dama". Quiça. Fique o certo e o errado para os que medem pernas de pulgas (cientistas e outros bichos); eu prefiro me postar sempre na tensão que há entre o certo e o errado.
Ontem, matina pura, fui na terra : Adamah! Onde peguei o barro de pai e mãe e pus no corpo ( mas dizem que foi primeiro pai no coito e depois mãe no parto e antes Deus e a natureza que colocaram no mundo este punhado de terra que é meu corpo material, elétrico, químico, eletromagnético, patético, enfim!Puah!)
Senti na coluna vertebral o sussuro dos antepassados.Eles estão em mim como num cemitério vivo. Lembrei que meu pai recitava pateticamente (de novo o patético!) :"eu venho de longe...de terras onde o verde..." e não tenho mais idéia que mais (idéia e lembrança é algo arraigado no senso comum; foi o que ficou do pensamento de Platão na plebe que, da filosofia maior, corrente de pensamento profundo e vasto que se originou em Sócrates, Platão e Aristóteles e que desçeu a uma filosofia menor, de menos sabedoria, maturidade, profundidade e originalidade, até fil´sosofos estócios, epicuristas, cínicos, até se firmar como ciência do Direito, que já não é ciência alguma, mas opiniões de doutores, simples doutrinas para dominar, domar, imperar, que é a filosofia baixa dos poderosos, até a filosofia do povo : o cristianismo, que é mitômana, reino de lenda e mito e milagres gozosos e glorisoso!)
Meu pai, homem brilhante de inteligência, mas manco de erudição, também conhecia " Era uma casa tão engraçada..." - a compreensão de poesia por ele nunca passou das quadras infantis.
Na viagem de ôniubus, duas senhoras, uma velhusca sexagenária em companhia da mãe octagenária. Esta parecia uma menina feia, encarquilhada, a mais velha, a matrarca ; a filha,no entanto, era mais ingênua que uma menina :"morro de dó dos animais", disse vezes incontáveis. Ela parecia aquela personagem Disney, que penso ser enamorada de Pateta Disney : a Clarabela (Uma vaca!!!, a Clarabela, claro!!!, que o Pateta é um cachorro! Frise-se : estou me referindo ao animal quadrúpede e pavorosamente fiel. )
O sonho dela, da "minha Clarabela" era ter dinheiro para comprar uma fazenda, recolher todas as bestas de carga (não sei me incluiu!, pois me falava e olhava de uma forma assim como quem sente "peninha"; seria de mim, a "peninha" ou dos pobres bichos que iam ao matadouro para a gente comer como churrasco depois e junto à metros de cerveja que ficam pela mesa do boteco!) Afiançou-me que pagaria dois mil para os carroceiros não fazerem nenhuma outra azêmola sofrer puxando carga. Que lindo!!! Essa quimera dela me pareceu mais doce que a do profeta Isaías, que imaginava o lobo e o cordeiro se confraternizando e o leão e o asno pastando lado a lado!
Ela me assegurou que não come carne há anos com pena dos bichinhos! Disse ainda que era por isso que estava inteira, malgrado a cara de múmia qie meus olhos captaram cruelmente (fecha olho!!)
Pensei em sugerir a Sociedade protetora dos animais, mas temi que me achasse mais idiota do que já sou, pois observando a estupidez dela fiquei a pensar na minha estultície, imperceptível para mim, clara para os demais, provavelmente.
Na aldeia das casinholas, onde nasci pescador de nada, achei um amigo tolo o suficiente para ler pela milionésima vez os Sermões do Padre Vieira, dizendo-me com uma volúpia infanto-juvenil que estava esperando mais um discurso do PadreVieira, no qual aquele orador emérito se defende ante o Tribunal do Santo Ofício Santo ofício do Cão!, o deles) .
De um inquisidor do Santo Ofício exercendo seus deveres austeramente.

Nenhum comentário: